quarta-feira, 24 de agosto de 2016

OS QUATRO AVISOS DE D. PEDRO: 600 ANOS DE ACTUALIDADE


 
Os quatro avisos de D. Pedro:600 anos de actualidade” – por António Valdemar, in Público

 A vocação da política do Atlântico e da política da Europa voltam a estar na ordem do dia e constituem tema de debates nacionais e internacionais. A descolonização (inevitável mas tardia) e a entrada (necessária e urgente) na União Europeia recolocaram, uma controvérsia que tem percorrido os séculos, que dividiu e continua a dividir henriquistas e pedristas.
Todas as homenagens foram prestadas ao infante D. Henrique mas está por fazer a reparação devida à memória de D. Pedro, traído e assassinado, às portas de Lisboa, o cadáver, entregue à voracidade dos cães e dos milhafres, a apodrecer dias e dias seguidos, nos campos de Alfarrobeira. Só muito depois teve sepultura, ao lado dos pais e dos irmãos, na Capela do Fundador, no mosteiro da Batalha.

Ínclita geração de altos infantes assim celebraram Os Lusíadas, os filhos legítimos masculinos de D. João I e de Filipa de Lencastre. Além deste verso emblemático, Camões tem outras referências ao Infante D. Henrique e ao Infante D. Pedro, ambos classificados de «generosos», na acepção peculiar atribuída a esta palavra, entendida como genuína estirpe e elevada linhagem. Mas Fernando Pessoa, na Mensagem, já definiu particularidades que singularizaram cada um dos infantes. D. Henrique, surge n'A Cabeça do Grifo «entre o brilho das esferas/ tem aos pés o mar novo e as mortas eras,/ o globo mundo em sua mão». D. Pedro, o infante das «sete partidas», destaca-se «fiel à palavra dada e à ideia tida,/ claro no pensar e claro no sentir/e claro no querer/indiferente ao que há em conseguir/que seja só obter».
Pessoa apresentou nestes termos os protagonistas da política do Atlântico e da política da Europa. D. Fernando, na caracterização de Pessoa, ficou «sagrado em honra e em desgraça».
 
Nada mais exato. Assim o descubro nas tábuas do políptico de São Vicente de Fora. E qual o retrato de D. Duarte? Pessoa é muito explícito. É o rei que se debate com as angústias interiores, as lutas familiares e as discórdias conjunturais: «A regra de ser rei/ almou meu ser/em dia e letra /escrupuloso e fundo./Firme em minha tristeza/ tal vivi./Cumprir contra o destino/ meu dever/ inutilmente?/ Não, porque o cumpri».

 
Robert Ricard, no estudo L’Infant D. Pedro de Portugal et “O Livro da Virtuosa Bemfeitoria”, resumiu tópicos essenciais da Carta de Bruges enviada, em 1426, pelo Infante D. Pedro ao seu irmão D. Duarte, antes de ocupar o trono. A Carta de Bruges assenta nos conhecimentos recolhidos, vividos e comprovados por D. Pedro ao percorrer, demoradamente, a Europa, nos contactos em várias cortes, a estabelecer relações diplomáticas e politicas para a consolidação da independência de Portugal após a crise de 1383-1385 e a expedição a Ceuta, em 1416.
A viagem foi, ainda, decisiva para a acção que o infante D Henrique viria a desempenhar. Sem os livros e os mapas, trazidos pelo infante D. Pedro, a aproximação com os cartógrafos judeus e outras informações náuticas e científicas, o infante D. Henrique nunca teria iniciado e prosseguido os descobrimentos marítimos, a expansão de Portugal no mundo. Enquanto D. Pedro, em complementaridade com a política do Atlântico, lançou as bases da política da Europa, cruzamento de afinidades geográficas e de vínculos históricos para formar, acima das pátrias, a união de todas as pátrias, uma consciência universal para o salto qualitativo, na aproximação com as realidades. Encerrado o ciclo do império colonial, representou a solução estratégica para a modernização e desenvolvimento do País, a identificação com os valores da cultura europeia e da civilização ocidental, a busca de um modelo político, económico e social, para superar fatalidades periféricas, egoísmos nacionais e opções paralisantes.

Por outro lado, a Carta de Bruges, um dos textos doutrinários do pensamento político, enumera directrizes para a correcta administração pública e dos serviços públicos. O infante D Pedro recomendava a D. Duarte, quando tivesse de assumir funções:  «O governo do Estado deve basear-se nas quatro virtudes cardeais e,  sob esse ponto de vista, a situação de Portugal não é satisfatória. A força — começa por indicar — reside em parte na população; é pois preciso evitar o despovoamento, diminuindo os tributos que pesam sobre o povo».
Pondera, noutro passo: «Impõem-se medidas que travem a diminuição do número de cavalos e de armas. É preciso assegurar um salário fixo e decente aos coudéis, a fim de se evitarem os abusos que eles cometem para assegurar a sua subsistência». Exemplifica: «É necessário igualmente diminuir o número de dias de trabalho gratuito que o povo tem de assegurar, e agir de tal forma que o reino se abasteça suficientemente de víveres e de armas». Para verificar incumprimentos de objectivos sugeria: «uma viagem de inspecção, atenta a estes aspectos, deveria na realidade fazer-se de dois em dois anos».

A justiça era outra das causas que mobilizavam D. Pedro. Tinha a convicção (e provas inequívocas) que a Justiça «só parece reinar em Portugal no coração do Rei [D. João I] e de D. Duarte; e dá ideia que de lá não sai, porque se assim não fosse aqueles que têm por encargo administrá-la comportar-se-iam mais honestamente. A justiça deve dar a cada qual aquilo que lhe é devido, e dar-lho sem delonga. É principalmente deste último ponto de vista que as coisas deixa a desejar: o grande mal está na lentidão da justiça».
Outra questão que preocupava D. Pedro mereceu este oportuno conselho: «um dos erros que lesam a prudência é o número exagerado das pessoas que fazem parte da casa do Rei e da dos príncipes. De onde decorrem as despesas exageradas que recaem sobre o povo, sob a forma de impostos e de requisições de animais. Acresce que toda a gente ambiciona viver na Corte, sem outra forma de ofício».
 
 

Quase 600 anos depois, deparamos os mesmos condicionalismos estruturais. Todos sabemos que os cavalos são outros. São outros os coudéis. E também são outras as bestas. Mudaram, apenas, algumas denominações, transportes e indumentárias. Se a situação de Portugal não era satisfatória confrontámo-nos com uma situação abaixo dos limites aceitáveis. Os últimos governos encerram empresas e fábricas, revogaram contratos, despediram milhares e milhares de trabalhadores. Houve a emigração de desenhas de milhares de jovens qualificados. Foram anuladas conquistas fundamentais na saúde, na educação, na segurança social e na cultura. Agravaram impostos. Atingiram rendimentos e bens reais ou potenciais. Acentuaram o espírito punitivo, com raízes na Inquisição e na PIDE. A banca encontra-se desmantelada. Responsáveis impunes, em liberdade, a coberto de atestados médicos, pagos a peso de ouro.
Portugal está subjugado ao Fundo Monetário Internacional, à Comissão Europeia, ao Banco Central Europeu, a multinacionais de telecomunicações e de comunicação. Vivemos sob a ameaça da divida e o terror do défice, que têm de ser reestruturados, a fim de promover crescimento e gerar emprego. A multiplicação de homicídios, abusos sexuais, violência doméstica, roubos, falsificação de documentos, fraudes fiscais, subornos, corrupção e outros crimes económicos e financeiros, requer a operacionalidade da Justiça, a dignificação da magistratura, a eficácia e funcionamento de todos os Tribunais. E em todas as instâncias. Mesmo do Tribunal de Contas e do Tribunal Constitucional. O grande mal da lentidão da justiça, prolonga-se inaceitavelmente. Ultrapassa a morte de centenas de injustiçados. Favorece as prescrições de processos escandalosos.

Mantém-se o «número exagerado de pessoas» ao «serviço do rei e dos príncipes». Sempre os mesmos e que se revezam e aumentam em cada governo, em cada autarquia, em cada legislatura. Chamam-se assessores, técnicos especialistas, facilitadores, intermediários, a trupe dos aparelhos partidários, gente ociosa e incapaz de «outra forma de ofício». Instalados em escritórios de advogados e gabinetes de consultores, para justificar negócios, planear manipulações, exercer tráfico de influências constituem a praga do favoritismo descarado e o vírus da intriga permanente.
Volvidos 600 anos, após a Carta de Bruges, perduram as lacunas, os defeitos, os vícios que inviabilizam perspectivas para impedir os desgastes da rotina e estagnação. A análise e a hierarquização feitas por Robert Ricard não tiveram em vista abranger os governos dos últimos vinte, trinta ou quarenta anos. Datam de 1953. Daí ganharem mais amplitude e significado as advertências de D. Pedro ao rei D. Duarte e a todos quantos lhe sucederam em monarquia ou aos chefes de estado em regime republicano.

Revejo D. Pedro, nestes momentos de crise e incerteza, no poema que lhe consagrou Sophia: nunca choraremos bastante nem com pranto/assaz amargo e forte/aquele que fundou glória e grandeza/e recebeu em paga insulto e morte. Este foi e é o meu D Pedro que regulamentou o povoamento da ilha de S. Miguel, que sempre o desconheceu e levantou outras estátuas. Reencontro-o, mais uma vez, tão vivo quanto o seu legado permanece por cumprir. Modelo de cidadania activa, de aposta continua no futuro e luta aberta contra as mãos sujas da corrupção.

Os quatro avisos de D. Pedro: 600 anos de actualidade – por António Valdemar, [Jornalista e investigador, membro da Classe de Letras da Academia das Ciências], jornal Público, 22 de Agosto de 2016, p.46-47 – com sublinhados nossos.

J.M.M.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

DIA 24 DE AGOSTO – HOMENAGEM A MANUEL FERNANDES TOMÁS – FIGUEIRA DA FOZ


FIGUEIRA DA FOZ - HOMENAGEM a Manuel Fernandes Tomás e à Revolução Liberal de 1820

PROGRAMA:


18,00 Horas – Cerimónia Oficial de Homenagem a Manuel Fernandes Tomás, junto à sua estatua, na Praça 8 de Maio [Figueira da Foz]:

- Deposição de uma Coroa de Flores junto ao túmulo, em homenagem a Manuel Fernandes Tomás


 
INTERVENÇÕES:

  • Presidente da Associação Cívica e Cultural 24 de Agosto
  • Grande Secretario Geral do Grande Oriente Lusitano – Maçonaria Portuguesa
  • Presidente da Associação Manuel Fernandes Thomaz
  • Presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz, Dr. João Ataíde.
 
ORGANIZAÇÃO – Câmara Municipal da Figueira da Foz, Associação Manuel Fernandes Thomaz e Associação Cívica e Cultural 24 de Agosto

J.M.M.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

MANIFESTO ANTI-DANTAS, ACTUALIDADE E PERMANÊNCIA

 

"Manifesto Anti-Dantas,actualidade e permanência” – por António Valdemar

 [A contestação literária e a desmontagem do oportunismo político]
 
 
“O Manifesto Anti-Dantas, de Almada Negreiros, insere-se na linha de intervenção da geração do Orpheu ao introduzir uma nova literatura e uma nova estética e, ao mesmo tempo, ao proceder à contestação de personalidades consagradas nas instituições oficiais. Publicado há um século — que este ano se completa —, e tendo falecido Júlio Dantas há mais de 50 anos, será legítimo falar em actualidade e permanência de um texto visceralmente panfletário, relacionado com figuras e acontecimentos pontuais, eventualmente sujeito ao esquecimento e à erosão do tempo?

É evidente que Júlio Dantas permanece ligado a uma época e às suas circunstâncias, mas, além disso, constituía um modelo social, cultural e político que não se extinguiu. Já existia antes e continuou a existir depois. Eça de Queiroz já ridicularizara e exautorara o conselheiro Acácio, o Pacheco, o Dr. Margaride, o Gouvarinho, o Steinbroken, o conde de Abranhos, o boticário Carlos e outros símbolos da presunção oficiosa e da mentalidade conservadora. Que, aliás, também, se deparam na Bíblia, no teatro de Plauto, nos autos e nas farsas de Gil Vicente...
Almada Negreiros tinha 23 anos. Encontrava-se na força da vida. Havia sido ‘director artístico’ e colaborador do Papagaio Real, semanário monárquico de sátira política. Pertencia, com Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, Santa-Rita Pintor, entre outros, ao grupo do Orpheu, que, ao surgir em Março de 1915, desencadeou os maiores protestos. Numa crónica na Ilustração Portuguesa, Júlio Dantas fora um dos muitos que execraram o Orpheu, juntando-se aos psiquiatras que consideraram paranóicos os colaboradores da revista.
O Manifesto Anti-Dantas não é, apenas, um ajuste de contas e a escolha de um bode expiatório. Traduz o conflito de gerações e integra-se numa corrente literária e artística com orientação estética de ruptura. Em 1913, Fernando Pessoa já se pronunciara contra a poesia de Afonso Lopes Vieira a propósito da publicação de Bartolomeu Marinheiro e, no mesmo texto, não deixou também de se distanciar de Júlio Dantas: 'os homens do Portugal de amanhã', ‘educados na estupidez’, ‘terão por Shakespeare o Sr. Júlio Dantas e por Shelley o Sr. Lopes Vieira’.

O pretexto imediato do Manifesto Anti-Dantas resultou da estreia, a 21 de Outubro de 1915, no Teatro Ginásio da peça de Júlio Dantas Soror Mariana. Almada era um dos que patearam a peça e, no dia 25, no jornal A Lucta, dirigido por Brito Camacho, reduziu a Soror Mariana a uma ‘baboseira teatral’ e apontou Dantas como um ‘homem cuja mediocridade inchada de egotismo o levou a comparecer em cena, ao chamamento de meia dúzia de claqueurs, ignorantes e ineptos’.
Mas a ofensiva implacável viria no Manifesto. Dantas estava no auge da celebridade. Com a Ceia dos Cardeais projectou-se através da Europa e das Américas e estendeu-se até ao Japão. A Ceia dos Cardeais, logo após a primeira representação, pelos maiores atores, constituiu um sucesso de livraria. Houve cinquenta edições, mais de 200 mil exemplares; traduções nas mais diversas línguas e duzentas e cinquenta imitações e paródias, em Portugal e no Brasil. A última de José Vilhena não sei se já foi publicada.



Além de Júlio Dantas, Almada disparou ataques a muitas outras figuras públicas da literatura, do teatro, da pintura, da escultura e do jornalismo. Contudo, a investida a Júlio Dantas tinha, igualmente, uma forte componente política. Atingia o Júlio Dantas que passara, sem hesitações, de um regime para outro, da Monarquia para a República. A transição política também se reflectia na trajectória literária — a ligação ao poder, aos sucessivos governos, às respectivas cúpulas partidárias.
Costumo resumir o êxito de Júlio Dantas através das seguintes peças: A Ceia dos Cardeais, para deslumbrar a família real e ter acesso ao paço; Um Serão nas Laranjeiras, ao pressentir a decomposição e queda da Monarquia; Santa Inquisição, para a I República e agradar a Afonso Costa; Carlota Joaquina, para desmistificar o Integralismo Lusitano; Frei António das Chagas, para o Estado Novo, empenhado na reconciliação do Estado com a Igreja. Em 1945, ao irromper o MUD (e a situação começou a estremecer), Dantas fez uma versão da Antígona. A oposição revia no tirano e detestável Creonte o tirano e detestável Salazar.

Não se registaram sinais de mudança. Júlio Dantas assinou o protesto fabricado na União Nacional e no Diário de Notícias, contra o "obviamente, demito-o" (Salazar), declarado, sem papas na língua, por Delgado, em 1958, na apresentação da candidatura à Presidência da República.
O ponto final das versatilidades políticas e literárias de Dantas verificou-se em 1960. Tinha 86 anos. Já fora substituído na Presidência da Academia por Reynaldo dos Santos. Mas não deixava de intervir. E aceitou subscrever, ao lado dos representantes da oposição democrática, a candidatura de Aquilino Ribeiro para Prémio Nobel da Literatura. Tinha plena consciência de que se tratava de um expediente para conseguir repercussão internacional, de modo a arquivar o processo-crime devido aos ataques cerrados ao regime e ao próprio Salazar no romance Quando os Lobos Uivam. E no âmbito do centenário do Infante D. Henrique, que se comemorava na altura, Salazar avançou com uma amnistia que abrangeu Aquilino e o libertou das picardias do Tribunal Plenário (da acusação inquisitorial do Ministério Público por Lopes de Melo que, após o 25 de Abril, ascendeu ao Supremo Tribunal de Justiça), das garras da PIDE, de um julgamento vexatório com pena suspensa ou efectiva.

Por tudo isto, Júlio Dantas foi tudo ou quase tudo o que quis e que é possível um intelectual exercer em Portugal: director e professor do Conservatório, comissário do Governo no Teatro Nacional, inspector superior das Bibliotecas e Arquivos, deputado, dirigente partidário, ministro de várias pastas. Desempenhou, episodicamente, funções de médico da Guarda Municipal em Lisboa, antecessora da Guarda Nacional Republicana. Desejou ser médico da Casa Real, mas não havia lugar vago. Estavam preenchidos por António Lencastre e Thomaz de Mello Breyner.
Ser médico terá facilitado a adesão à República, durante as horas de expectativa revolucionária. Em vez de ir aos banhos de São Paulo, onde estava reunido o futuro governo provisório, com grandes personalidades da Maçonaria, deslocou-se a cavalo à Rotunda, oferecendo os seus serviços clínicos aos militares e aos civis armados da Carbonária. Está referido e documentado por Machado Santos no relatório acerca das fases do processo que conduziu à proclamação da República em 5 de Outubro de 1910.

A Júlio Dantas faltou-lhe, apenas, ser Presidente da República, Prémio Nobel e cardeal. Soube adaptar-se às conjunturas políticas. Reunia as condições essenciais. Era filho de um general e sobrinho de outro general. Vestia com gosto. Sabia o que era um smoking e uma casaca. Nunca teve caspa na gola do casaco nem, muito menos, as unhas sujas.

Mas a maior parte dos dirigentes e responsáveis institucionais também o repescava, porque sabia cumprir a liturgia do poder, oficiar o cerimonial do Estado e conduzir o funcionamento de uma academia. Era um ritualista exímio. Um cenógrafo da língua para todas as situações, as mais solenes e as mais insólitas.


 
Almada, ao fazer a desmontagem dos ecletismos políticos (e faltava assistir a mais 50 anos de oportunismo), pôs o dedo na ferida:’"Dantas é um habilidoso e um ciganão, (...) um pantomineiro. Para ter chegado aonde chegou basta não ter escrúpulos, nem morais, nem artísticos, nem humanos. Basta usar o tal sorrisozinho, basta ser muito delicado (...) e ter olhos meigos (...) Basta ser Judas. Basta ser Dantas’.

Seja como for, o Manifesto Anti-Dantas, de Almada Negreiros, alertou uma ou duas gerações, a do Orpheu e a da Presença, e mesmo depois disso, para outros Dantas. Antes dele, Castilho foi um Dantas do século XIX. A carta de Antero de Quental Bom Senso e Bom Gosto, publicada, em 1864, contra António Feliciano de Castilho e seus discípulos, não se restringiu à luta de gerações literárias mas à denúncia da promiscuidade do elogio mútuo.
E quantos outros Dantas temos conhecido tão solícitos e ávidos de protagonismo, mas sem a inteligência e a cultura de Dantas? Infelizmente, o que nos tem faltado são manifestos de Almada contra os Dantas, e cartas de Antero contra os Castilhos. Justifica-se, portanto, a actualidade e permanência do Manifesto Anti-Dantas. O panorama que se nos depara é confrangedor: poetas e escritores em santa aliança e sagrado conluio, numa descarada troca de panegíricos. Mas é mais angustiante e deplorável em relação à política, aos partidos e à banca. As palavras incendiárias e as sínteses fulminantes de Almada Negreiros no Manifesto Anti-Dantas começam a ser insuficientes para desmascarar a progressiva confusão de valores e princípios com interesses e negócios.”

Manifesto Anti-Dantas, actualidade e permanência – por António Valdemar, [Jornalista e investigador, membro da Classe de Letras da Academia das Ciências], jornal Público, 12 de Agosto de 2016, p.48 – com sublinhados nossos.

J.M.M.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

SAHIDAS AO SUL



Nestes povoados / tudo são requestas; deixai-me os cuidados, / que eu vos deixo as festas” [Sá de Miranda]

O Almanaque Republicano cuida-se para o suspiroso veraneio. Cumprindo os raios do ingente sol - que cada hum exerce conforme o estylo - está de saída, a uso de banhos. Embalados pela briza do Mondego (com mar ao fundo), prestimosos e virtuosos, caminhamos para o Sul, fortalecidos e avigorados que estamos com a idade. Mas não nos deixaremos iludir pela impertinência insana destes tempos paroquiais, que a Alma não está gasta. Afeiçoada memória.
Longe dos deveres profanos, não atendemos no domicílio. Porém, temos propósito de perseverar e agasalhar o precioso manto da Alma Republicana. Estaremos, delicadamente, vigilantes ao despontar instruído das almas, que a “saudade não se estrece”. Breve voltaremos ao recesso do lar e ao V. aconchego. Até lá … um derradeiro Vale!
 
Saúde, Paz e Fraternidade!

[traçado algures no Alentejo, à sombra da noute]
J.M.M.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

A PRIMEIRA REPÚBLICA. NA FRONTEIRA DO LIBERALISMO E DA DEMOCRACIA, POR MIRIAM HALPERN PEREIRA

Foi editado este mês uma obra que o Almanaque Republicano não pode deixar de divulgar junto de todos os que seguem este nosso espaço de divulgação de bibliografia, de eventos (conferências, colóquios e cursos) e de alguma investigação (ainda que pouca, com muita pena nossa) que se vão fazendo pelo País e que nos vão fazendo chegar ou que vamos tendo conhecimento.

Desta vez a Professora Miriam Halpern Pereira que já tinha realizado vários estudos parcelares sobre o período da I República Portuguesa decidiu investigar e avançar com novos elementos para a compreensão da época. Em boa hora o fez, pois a obra foi publicada e apresenta uma análise muito bem fundamentada, com bibliografia recente e criticamente analisada.

Pode ler-se na sinopse da obra:

Mais de um século decorrido sobre o início da Primeira República e este período da história recente do país continua a suscitar forte interesse. A instabilidade governamental e a vio­lência na rua não impediram o êxito de reformas decisivas na educação, na cultura, nas relações laborais, no estatuto da mulher e na relação en­tre o Estado e a população. Contu­do, a mudança não foi isenta de difi­culdades. Nunca é. Esta obra é uma síntese desse período e uma por­ta aberta para perceber as déca­das que se seguiram. Permite a um público não especializado aceder a uma interpretação actualizada dos principais problemas desta épo­ca, e, desse modo, contribui para entender o presente. 

Primeira República é uma época que surpreende pelos contrastes paradoxais.

A cidadania limitada à população masculina e alfabetizada coexistiu com uma vigorosa intervenção cívica extraparlamentar. A instabilidade governamental e a violência na rua não impediram o êxito de decisivas reformas na educação, na cultura, nas relações laborais, no estatuto da mulher e na relação entre o Estado e a população. O crescimento económico, embora moderado, permitiu a recuperação da crise finissecular oitocentista e beneficiou da retoma internacional dos anos 20. Recuperou-se o equilíbrio financeiro. A consolidação do espaço colonial foi alcançada, aqui a quase totalidade da população africana foi excluída da cidadania, em consonância com as outras colónias europeias. A vontade de mudança esbarrou com frequência crescente no conservadorismo e o desfecho desse confronto violento foi dramático. Seguiram-se várias décadas de regressão educativa, cultural, social, cívica e política. Como se explica esta evolução? Nesta síntese atualizada encontrará a resposta. 

O objectivo deste livro é proporcionar essa visão sintética que permita a um público não especializado o acesso a uma interpretação actualizada dos principais problemas desta época.

Sobre a Autora pode ler-se:

Miriam Halpern Pereira é Professora Emérita do ISCTE/IUL. Principais livros: O Gosto pela História (2010), Diversidade e Assimetrias (2001), Das Revoluções Liberais ao Estado Novo (1994), Livre-câmbio e Desenvolvimento Económico: Portugal na Segunda Metade do Século XIX, 1971/1983. Fundadora do CEHC/ISCTE, o primeiro centro de História Contemporânea em Portugal, e da revista Ler História, foi diretora-geral dos Arquivos (IANTT). Foi-lhe atribuída a medalha de mérito científico, MCTES, 2016.

Uma excelente leitura para férias que podemos sugerir aos que nos visitam neste espaço virtual.

A.A.B.M.

terça-feira, 26 de julho de 2016

ANTÓNIO JOSÉ, AS SEIS PALAVRAS




António José, as seis palavras” – por António Valdemar, in Público

[Tem monumentos à sua memória em Lisboa, Coimbra, Penacova e Vale da Vinha. Falta a consagração que merece no Panteão Nacional]
“A personalidade humana e o percurso político de António José de Almeida – uma das mais notáveis figuras da história da República, da implantação e consolidação do regime e da sua defesa em momentos de adversidade, de controvérsias violentas, de combates ferozes, de atentados terroristas – identificaram-se com os valores e os princípios políticos e a responsabilidade cívica adoptados pela sua geração.

Enquadram-se na semente lançada por Henriques Nogueira, prosseguida por Teófilo Braga e outros fundadores do Partido Republicano e que, após o centenário de Camões de 1880 e do centenário de Pombal de 1882, mobilizou inúmeros jovens de Lisboa, Porto, Coimbra e outros pontos do país. Associaram-se ao movimento de indignação contra o Ultimatum de 1890 e à revolta republicana do Porto de 1891. Revitalizam o Partido Republicano e vão ser os protagonistas de um tempo de mudança, da transição do século XIX, para o século XX, das várias formas de lutas que envolveram várias tendências de republicanos e monárquicos e movimentos radicais.
António José de Almeida é uma dessas grandes figuras. Há, todavia, no perfil de António José de Almeida aspectos que o distinguiram de outros Presidentes da República como Teófilo Braga, Manuel de Arriaga, Bernardino Machado e Manuel Teixeira Gomes e que o singularizariam perante Afonso Costa e Brito Camacho, para mencionar dois chefes partidários seus contemporâneos.
 
António José de Almeida nasceu em Penacova (Vale da Vinha, São Pedro de Alva, a 17 de junho de 1866 – há 150 anos); e faleceu em Lisboa (31 de Outubro de 1929). Está salvaguardada a casa onde nasceu, mas a casa de Lisboa, onde residiu e faleceu, em Lisboa, na Avenida António Augusto de Aguiar – esquina com São Sebastião da Pedreira – foi demolida. Existem monumentos à sua memória em Lisboa, em Coimbra, em Penacova e em Vale da Vinha. Falta, há muito, e volto a sugerir, a consagração que merece no Panteão Nacional.
A formação intelectual de António José de Almeida decorreu em Coimbra — Liceu e Faculdade de Medicina. Terminou o curso em 1895. Exerceu a Medicina em Angola, São Tomé e em Lisboa. Entrou no Partido Republicano ainda estudante da Universidade em Coimbra. Ingressou no Parlamento como deputado e, por exemplo, com Afonso Costa, Brito Camacho e João de Menezes formou o núcleo duro que combateu a monarquia e acelerou a implantação da República.

Integrou o I Governo Provisório, fez parte da Constituinte de 1911, foi ministro e Presidente da República. Numa época de paixões exacerbadas, de instabilidade política, económica e social caracterizou-se fundamentalmente pelo espírito de tolerância e abertura, pela defesa das liberdades constitucionais, entre as quais a liberdade religiosa. Promoveu a concórdia, a convergência com outros partidos, em torno de objectivos nacionais e internacionais. Insurgiu-se contra o favoritismo e a corrupção. Em várias campanhas no jornal República,  de que foi fundador e director, alertou para o ‘bando esfaimado e criminoso’ que denegria a República com oportunismos, carreirismos, nomeações de cargos públicos e outros favoritismos partidários.
Empenhou-se na operacionalidade da Justiça, na dignificação da magistratura, na eficácia e funcionamento dos Tribunais em todas as instâncias. A defesa das regiões e a descentralização administrativa foi outra das suas preocupações. ‘Fazer regionalismo’ – escreveu ‘é a melhor maneira de fazer patriotismo, porque sempre a política nacional foi tímida e frouxa onde lhe faltou a acção local, que é a única e verdadeira força para estimular as energias de um povo e dar consistência as aspirações de uma nacionalidade’.

Permaneceu sempre no espírito e na vontade política de António José de Almeida a autonomia da Cultura, o reconhecimento dos intelectuais e artistas e o prestígio das instituições que os representavam. Durante a presidência do governo da União Sagrada (de 15 de março de 1917 a 25 de Abril de 1917 e como Presidente da República (de 5 de outubro de 1919 a 5 de outubro de 1923), o único presidente da República que concluiu o mandato, António José de Almeida organizou manifestações junto dos principais monumentos para despertar valores culturais e cívicos. Na sequência destas iniciativas Nuno Simões, enquanto ministro, decretou a classificação dos monumentos históricos, instituindo a Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, com quatro secções: Lisboa, Porto, Coimbra e Évora.
 
A cultura europeia constituiu uma das referências primordiais de António José de Almeida. Ao deixar São Tomé e antes de se estabelecer em Lisboa decidiu aprofundar a sua formação intelectual e profissional em Paris, junto de médicos insignes como Guyon, Tuffier, Cathlin e Pinard. Encontrou-se, casualmente, com o jovem Reinaldo dos Santos que havia concluído o curso na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa.
Contou-me este episódio Reinaldo dos Santos acrescentando que, também, frequentava o mesmo estágio Alexis Carrel, alguns anos depois, Prémio Nobel, pioneiro da cirurgia experimental e do transplante de órgãos e tecidos. (Tive o privilégio de publicar –  Diário de Notícias de 5 de Dezembro de 1980 – correspondência inédita de Alexis Carrel e de Afonso Lopes Vieira para Reinaldo dos Santos).
Contudo, o projecto político e cultural de António José de Almeida – objecto de um relevante estudo de investigação de Luís Reis Torgal – também abrangeu o Atlântico. Era (e continua a ser) um dos vínculos de Portugal com a Europa e com o Mundo. Basta citar a relação de António José de Almeida com o Brasil, a viagem presidencial que efectuou em 1922, ano do centenário da independência do Brasil e da travessia do Atlântico Sul por Gago Coutinho e Sacadura Cabral. Marcou a descoberta da navegação aérea transoceânica, guiada pelos ‘regimentos das estrelas’, a ‘pesar o sol pelo astrolábio’ e, ao mesmo tempo, um ato político, repleto de carga simbólica, para a aproximação entre os dois povos.

Toda a trajectória de António José de Almeida se resume a uma afirmação de equanimidade contida em seis palavras – que continuam a ganhar amplitude e significado – liberdade, tolerância, justiça, pátria, europa, atlântico. Seis palavras que, para o ‘esplendor de Portugal’, lhe encheram a vida, iluminaram a consciência, moldaram o carácter e orientaram a acção.
António José, as seis palavras – por António Valdemar, [Jornalista e investigador, membro da Classe de Letras da Academia das Ciências], jornal Público, 26 de Julho de 2016, p.46 – com sublinhados nossos.

J.M.M.

terça-feira, 19 de julho de 2016

VISITA - EXPOSIÇÃO BIBLIOGRÁFICA E DOCUMENTAL JOAQUIM DE CARVALHO



VISITA - EXPOSIÇÃO BIBLIOGRÁFICA E DOCUMENTAL JOAQUIM DE CARVALHO

DIA:
20 de Julho de 2016 (19,00 horas);
LOCAL: Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra (Sala do Catálogo);

VISITA GUIADA pelo prof. Paulo Archer;

Está patente na Sala do Catálogo da Biblioteca Geral da UC a exposição bibliográfica e documental Joaquim de Carvalho, originalmente organizada pelo Departamento de Cultura da Câmara Municipal da Figueira da Foz.
Amanhã, dia 20 de Julho, pelas 19 horas, haverá uma visita guiada pelo Doutor Paulo Archer de Carvalho, do CEISXX.
Joaquim de Carvalho (Figueira da Foz, 10 de junho de 1892 - Coimbra, 27 de outubro de 1958) foi um professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, onde regeu cadeiras de Filosofia e de História da Cultura.
Foi diretor da “Revista da Universidade de Coimbra”, da Biblioteca Geral (1926-1931) e da Imprensa da Universidade. No desempenho destas funções, promoveu a publicação de centenas de livros resultantes da investigação académica. Instituiu igualmente diversas linhas de pesquisa, em particular na história da ciência e do pensamento português e europeu. Em registo de invulgar abrangência, consagrou também ensaios a alguns dos escritores mais representativos do cânone literário português: Gil Vicente, Luís de Camões, Eugénio de Castro, Teixeira de Pascoaes e Antero de Quental.

Dirigiu, ainda, a prestigiada Biblioteca Filosófica (da livraria Atlântida, em Coimbra) e a “Revista Filosófica” (cujo último número sairia postumamente, em 1959). Acalentou o projeto de escrever uma história da Filosofia em Portugal.

É consensualmente reconhecido pela seriedade e fundura do seu labor intelectual.

Obediente à sua própria consciência, foi tenazmente perseguido pelo Estado Novo, a ponto de ter visto extinta a Imprensa da Universidade, que dirigia. No seu tempo, os próprios colegas universitários mais conservadores se referiam a Joaquim de Carvalho como o “sábio”. De entre os discípulos que formou, destaca-se Eduardo Lourenço, que foi seu assistente, entre 1947 e 1953” [AQUI]
J.M.M.

ENCARCERAMENTO COLONIAL NO SÉCULO XX: UMA ABORDAGEM COMPARATIVA - CONFERÊNCIA INTERNACIONAL

Nos próximos dias 21, 22 e 23 de Julho de 2016, no Museu do Aljube, em Lisboa, vai realizar-se a Conferência Internacional Encarceramento Colonial no Século XX: Uma abordagem comparativa.

Ao longo de três dias vários especialistas internacionais vão analisar os vários casos de encarceramento colonial, quando é importante recordar que se assinalam os 80 anos da abertura do Campo do Tarrafal. Na nota de divulgação desta conferência internacional pode ler-se:

A historiografia sobre o encarceramento colonial no período do colonialismo europeu moderno, de finais do século 19 até às independências do século 20, tem manifestado uma vitalidade assinalável nos últimos anos, com uma explosão de estudos empíricos e novas abordagens teóricas. Um dos casos mais estudados é o da África do Sul, onde se criaram os primeiros campos de detenção de prisoneiros políticos no seguimento da guerra Anglo-Boer. A investigação sobre outros contextos coloniais europeus no império britânico, francês, holandês, belga e Italiano também revelou a utilização frequente de campos em África e Ásia para o encarceramento de membros da oposição política perseguidos em contextos metropolitanos e coloniais.
No caso do III Império Português, o encarceramento de opositores é geralmente identificado com a Ditadura Militar e o Estado Novo, que criou campos especiais de detenção para este efeito nas colónias de então. O campo de prisioneiros do Tarrafal na Ilha cabo-verdiana de Santiago é o caso mais notório, denunciado internacionalmente como o primeiro campo de concentração português. Pese embora os africanos que também aí estiveram detidos já em plena guerra colonial, é a sua ligação à política metropolitana que lhe tem conferido um maior peso simbólico e visibilidade. Se alargarmos o foco a todo o império, verificamos que, exceptuando alguns estudos recentes, a história dos campos coloniais portugueses de detenção política no século XX se encontra ainda largamente por explorar. A historiografia crescente do encarceramento colonial tem-se sobretudo focado outros impérios europeus em África e Ásia.
O Instituto de História Contemporânea (Universidade NOVA de Lisboa) e o Museu do Aljube – Resistência e Liberdade pretendem marcar o 80º aniversário da abertura do campo do Tarrafal em Cabo Verde através da organização de uma conferência sobre o encarceramento político em colónias europeias durante o século XX. São bem-vindas propostas com investigações em curso sobre prisões e prisioneiros políticos nos impérios britânico, francês, holandês, belga, alemão e português, bem como olhares transversais e transnacionais sobre o encarceramento político em situação colonial. Uma selecção das comunicações apresentadas será incluída num número especial de uma revista internacional de revisão por pares.
A Conferência terá lugar no Museu do Aljube – Resistência e Liberdade, Lisboa, Portugal

Rua Augusto Rosa, 42, 1100-059 Lisboa.

Contactos

Endereço electrónico: colonialincarceration20century@gmail.com

Telefones: (351) 218 172 400 | (351) 218 170 983

O programa detalhado pode ser consultado/descarregado AQUI.

Entrada é livre, mas é necessária inscrição.

A página da conferência deve ser consultada AQUI.
Uma iniciativa que o Almanaque Republicano não pode deixar de divulgar e de recomendar a todos aqueles que se interessam pelo estudo da oposição ao Estado Novo, aos que combateram a Ditadura e que conheceram as terríveis consequências para a maioria daqueles que conheceram a prisão e as torturas no Campo do Tarrafal.

Para que não se apague a memória!!!

A.A.B.M.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

HÁ 80 ANOS COMEÇAVA A GUERRA CIVIL DE ESPANHA (1936-1939)


Por estes dias, em meados do mês de Julho (17) de 1936, iniciavam-se os confrontos em Marrocos. O País mergulhava num crescendo de instabilidade. Os políticos fomentavam a instabilidade desde as eleições realizadas em Fevereiro de 1936. Alcalá Zamora foi destituído por Azaña em Maio de 1936. As forças republicanas que tinham ganho as eleições confrontavam-se com os militares nacionalistas liderados por Francisco Franco. Nos primeiros momentos, o pronunciamento que permitiu o controlo das regiões insulares de Espanha e a parte oeste do território continental espanhol. A partir de 21 de Julho os combates alastram, os intervenientes estrangeiros tomam posição e os episódios bélicos sucedem-se.

Para se conhecer e saber mais sobre a Guerra Civil de Espanha recomendamos a audição deste programa de rádio emitido ontem, 17 de Julho, na Antena 1, "Sons e Tons da Guerra Civil de Espanha".

Para começar a abordagem ao tema sugere-se a leitura da entrada sobre a Guerra Civil de Espanha na wiki AQUI.

A Fundação Mário Soares tem também um conjunto de ligações interessantes sobre a Guerra Civil de Espanha que convém explorar para se conhecer mais sobre este conflito que também acabou por afectar e influenciar Portugal. Sobre este assunto aconselhamos uma visita AQUI.

Em castelhano existem múltiplos locais sobre o tema, mas com informação rigorosa sugerimos uma visita AQUI, AQUI ou AQUI.


Também em video é possível encontrar informação útil sobre os acontecimentos: AQUI (série que se inicia hoje à noite), outra sugestão de uma série AQUI (em castelhano), outra sugestão AQUI (em português), ou AQUI.


Para que a memória dos acontecimentos não seja esquecida e sobretudo as suas consequências para a população durante aqueles três anos (1936-1939) terríveis.

A.A.B.M.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

CENSURA CONTINUA A SER TEMA DE INVESTIGAÇÃO NO MUSEU BERNARDINO MACHADO

No âmbito do ciclo de conferências A Censura na Ditadura Militar e no Estado Novo realiza-se amanhã, 15 de Julho de 2016, pelas 21.30h, no Museu Bernardino Machado uma nova sessão.

O convidado será Henrique Barreto Nunes.

O tema desta conferência é Estes Escritores Morreram.

Sobre o conferencista Henrique Barreto Nunes podemos dizer que nasceu em Monção, em 1947. Fez o curso de História na FLUC, que terminou em 1972, frequentando depois o curso de Bibliotecário-Arquivista, que terminou em 1974. Desde 1986 foi Assistente Convidado do Curso de Especialização em Ciências Documentais da Faculdade de Letras do Porto e docente da disciplina de Leitura Pública em cursos similares das Universidades de Lisboa e de Coimbra. Dedicou-se à defesa da causa do Salvamento da Bracara Augusta, fundador e dirigente da ASPA (Associação para a Defesa, Estudo e Divulgação do Património Cultural e Natural) e envolveu-se na luta  por outras outras causas cívicas.

Desempenhou as funções de director da Biblioteca Municipal de Braga até 2010, quando se aposentou.

Foi ainda membro da Assembleia da Universidade do Minho, foi eleito para o referido Senado Universitário, membro do  Conselho Cultural e da Comissão Instaladora da Casa-Museu de Monção, ainda do Conselho Científico da Sociedade Martins Sarmento (Guimarães), Conselho Consultivo da associação literária “Autores de Braga”, integrou o Conselho Superior das Bibliotecas Portuguesas, o Conselho Consultivo do Instituto Português do Livro e da Leitura e o Núcleo de Apoio do Serviço de Bibliotecas da Fundação Calouste Gulbenkian, foi ainda membro da Comissão de Honra do Plano Nacional de Leitura.

Foi dirigente da BIBLIOMÉDIA, da Secção Portuguesa do IBBY e da LITTERA, pertenceu em diferentes períodos aos corpos dirigentes da BAD.
Tem colaborado regularmente na imprensa minhota, como “Notícias do Minho” (Braga), “A Terra Minhota” (Monção) e “Diário do Minho” (Braga). Dirigiu as revistas “Mínia” (ASPA) e "Bibliomédia", foi coordenador editorial da revista “Forum” (Conselho Cultural da Universidade do Minho) e director do “Solta Palavra : Boletim do CRILIJ” (Porto).

Publicou:

- “Da Biblioteca ao Leitor” (Braga : Autores de Braga, 1996; 2ª ed. 1998);
- “Tradições académicas de Braga” [coord. e co-autor], (Braga : AAUM, 2001).

O currículo do conferencista pode ser consultado AQUI.

A divulgar e participar com todo o empenho.

A.A.B.M.

quarta-feira, 13 de julho de 2016

PROMONTÓRIA. FRAGMENTOS PARA A HISTÓRIA DO TURISMO NO ALGARVE APRESENTADA EM S. BRÁS DE ALPORTEL

Na próxima sexta-feira, dia 15 de Julho de 2016 vai ser apresentado nº 2, da revista Promontória Monográfica. História do Algarve, subordinada ao tema: Fragmentos para a História do Turismo no Algarve. O presente número, como já anteriormente se referiu foi coordenado por Alexandra Rodrigues Gonçalves, António Paulo Dias Oliveira e Cristina Fé Santos.

A sessão, realiza-se no Museu do Traje, em São Brás de Alportel, pelas 18.30 h.

Apresenta a revista Vítor Neto.

Uma iniciativa que se recomenda para todos aqueles que querem saber um pouco mais sobre a evolução do turismo na região portuguesa, que tem grande tradição nesta actividade e que tanta riqueza gera para o País.

A.A.B.M.


terça-feira, 5 de julho de 2016

AOS HERÓIS DO 7 DE JULHO DE 1822 * MEMÓRIA DA LIBERDADE E DO CONSTITUCIONALISMO. MADRID – LISBOA 1822



LIVRO: Memória da Liberdade e do Constitucionalismo. Madrid-Lisboa 1822

COLETÂNEA de Textos publicados no Jornal da Sociedade Literária Patriótica de Lisboa, Typographia Rollandiana, Lisboa 1822

Discurso de José Liberato Freire de Carvalho | Epicédio de João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett | Correspondência com a Sociedade Constitucional de Madrid e com o Encarregado de Negócios de Espanha em Lisboa | Estatutos da Sociedade Literária Patriótica de Lisboa

EDIÇÃO: União de Freguesias de S. Martinho do Bispo e de Ribeira de Frades, através da Comissão Liberato, em Julho de 2016 | Patrocínio: Pró-Associação 8 de Maio.

LANÇAMENTO:

DIA: 7 de Junho (18 horas);
LOCAL: Café Santa Cruz (Coimbra);
ORADORES: profª  Isabel Nobre Vargues | Profº Apolinário Lourenço



“… no glorioso dia 7 de Julho [1822] perderam as suas vidas em Madrid e suas vizinhanças depois de briosamente haverem combatido e ganho uma vitória assinalada sobre o despotismo que, temerário, ousara ainda uma vez armar-se contra a liberdade peninsular. Falo, porém, diante de portugueses e portugueses escolhidos que estimam em mais a liberdade do que as vidas e que estão mui bem persuadidos de que uma vitória alcançada a favor da liberdade nas margens do Manzanares é realmente uma vitória ganha sobre as margens do Tejo em Portugal (…)

Com a vitória ganha em Madrid a favor da liberdade no dia 7 do corrente, ganhámos nós em Lisboa, nesse mesmo fausto dia, outra vitória decisiva sobre nossos inimigos que talvez nos tenebrosos antros do silêncio já estivessem aguçando seus pérfidos punhais e deles houvéssemos de ser vítimas sem esta vitória assinalada. Será, pois, Senhores, o assunto principal do meu discurso mostrar-vos que os heróicos mártires espanhóis da liberdade, derramando o seu sangue e dando as suas vidas generosas para conservarem constitucionalmente livre a ilustre terra em que nasceram, igualmente derramaram seu sangue e perderam as suas vidas em favor da Constitucional causa portuguesa. E a final vos mostrarei que o mais nobre e mais precioso tributo, que podemos ofertar à sua memória, é seguir-lhes tão magnífico exemplo; e é desde este instante preparar-nos também para briosamente resistirmos aos nossos inimigos, determinando-nos já e até jurando de bom grado e coração - ou que viveremos livres, ou morreremos todos defendendo a nossa liberdade …

[Discurso de José Liberato Freire de Carvalho, na Sessão Extraordinária da Sociedade Literária Patriótica de Lisboa, na noite de 24 de Julho de 1822 – Do livro]

 J.M.M.