quarta-feira, 23 de agosto de 2017

[FIGUEIRA DA FOZ] 24 DE AGOSTO (18,00 H) – CELEBRAÇÃO EVOCATIVA DA REVOLUÇÃO LIBERAL E HOMENAGEM A MANUEL FERNANDES TOMÁS


FIGUEIRA DA FOZ - HOMENAGEM a Manuel Fernandes Tomás e à Revolução Liberal de 1820.

 
PROGRAMA PARA O DIA 24 DE AGOSTO:

 
18.00 Horas - Deposição de uma coroa de flores junto à estátua de Patriarca da Revolução Liberal, Manuel Fernandes Tomás, na Praça 8 de Maio;

 
18.30 HorasSessão Solene Evocativa da Revolução Liberal e do Percurso Cívico e Político de Manuel Fernandes TomásSalão Nobre do Edifício dos Paços do Concelho.

 


INTERVENÇÕES: Presidente da Associação Cívica e Cultural 24 Agosto | Grande Oriente Lusitano | Presidente da Associação Manuel Fernandes Tomás | Câmara Municipal da Figueira da Foz | Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Juiz Conselheiro Dr. António Silva Henriques Gaspar [que preside às Celebrações]


 
J.M.M.

domingo, 20 de agosto de 2017

VERGÍLIO FERREIRA, NOS FICHEIROS SECRETOS DO SEMINÁRIO DO FUNDÃO



Ficheiros Secretos” – por António Valdemar, in Caderno E, Expresso
 
O escritor, o poeta, o filósofo e outras figuras intelectuais e artísticas deverão ser estudados, a partir da sua vida real, de actos e factos concretos que surgiram desde o nascimento á morte; ou os estudos e interpretações deverão, apenas, circunscrever-se às circunstâncias que se tornam evidentes através da sua obra?
 
Arnaldo Saraiva, professor catedrático da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, tem adotado a primeira destas metodologias numa série de folhetos acerca de figuras públicas. O último intitula-se: "Vergílio Ferreira, Seminarista nos seminários do Fundão e da Guarda".
 
Uma investigação de extrema minúcia permitiu-lhe reconstituir o que se ignorava das origens familiares: o pai, fogueteiro, a mãe, doméstica, emigrantes nos Estados Unidos e que emprestavam dinheiro a juro; a criança a cargo da avó e das tias; Vergílio Ferreira estudante aplicado na escola primária e com aproximação diária à igreja (o tio-avô era o pároco), a ajudar à missa, e em latim, antes dos seis anos; a tocar violino e a participar nas atividades de organizações católicas (Congregação dos Filhos de Maria e Agregação do Santíssimo Sacramento).
Com a classificação de Muito-Bom, no exame geral da quarta classe do ensino primário, entrou, aos 10 anos, em 1926, no Seminário do Fundão. Arnaldo Saraiva procurou, fundamentalmente, apurar tudo o que vem (e não vem) na obra de mons. Alfeu dos Santos Pires, "História e Vida dos Seminários da Guarda e do Fundão", noutros estudos monográficos e em depoimentos de contemporâneos.
Evitou Vergílio Ferreira, na "Manhã Submersa", na "Estrela Polar", no "Diário" e na "Conta Corrente" descrever situações degradantes que lhe marcaram a infância e adolescência até aos 16 anos. Tentou resumir esse submundo de reacionarismo e de intolerância numa frase abrangente: «solidão, desconforto, rigidez de internato».
 
CULTURA DE HIPÓCRISIA
 
No entanto, a investigação de Arnaldo Saraiva reuniu elementos esclarecedores: «o dia-a-dia do seminário do Fundão favorecia por vezes menos a firmeza ou o fortalecimento da vocação do que a hipocrisia e os sentimentos de medo, culpa, frustração, desamparo e tristeza, que nem podiam ser expressos em cartas, porque estas eram obrigatoriamente entregues abertas; e, é claro, que nenhum seminarista recebia correspondência que não tivesse sido aberta e lida por um superior» E acrescenta: «os seminaristas não eram tão incentivados a usar ou a desenvolver as suas capacidades criticas como a cumprir e valorizar os deveres de obediência e de humildade». (pag. 22).
 
O PECADO DA CARNE
 
Todavia, ao caracterizar o espaço fechado e asfixiante do seminário do Fundão, Arnaldo Saraiva escreve: «o tempo diário gasto, sobretudo, em rituais religiosos» (...) «missa, terço, rezas, prédicas, exames de consciência e retiros, mais valorizados do que o tempo das aulas ou das salas de estudo». (...) «a regra do silêncio se impunha até nas horas das refeições». (...) E também as punições frequentes: «a imposição de uma disciplina militar ou militarista e castigando severamente mesmo pequenas infrações, que podiam merecer palmatoadas, verdascadas e bofetadas, ou largos minutos de joelhos e de pé virados para as paredes». (pags. 21 ,22).
 
Menciona a vigilância nos corredores e nas camaratas para afastar «o fantasma do pecado da carne» (sic): «as calças (obrigatoriamente pretas, como o casaco e a gravata) tinham de ser vestidas e despidas entre os lençóis; as mãos não podiam ser aquecidas nos bolsos; o entendimento entre colegas tinha de ser limitado para não conduzir a perigosíssimas amizades particulares». (pag. 23)
Estas medidas repressivas no domínio sexual e afetivo, e a que foram submetidas gerações sucessivasconcluiu Arnaldo Saraiva – não impediram, decorridos 90 anos, que o seminário do Fundão fechasse «as suas portas, em 2015,já depois de um escândalo que envolveu um seu vice-reitor». (pag. 51).
 
 
NOTAS CONFIDENCIAIS
Apesar do encerramento, amplamente noticiado na comunicação social, das declarações contraditórias de bispos da diocese, de processos-crime de pedofilia julgados em Tribunal e a aguardar decisões de instâncias judiciais superiores, perdura o arquivo do Seminário do Fundão. Possui fontes documentais, até agora, consultadas por um número muito restrito de eclesiásticos como Alfeu dos Santos Pires e de que só chegaram ao público informações escassas e muito filtradas.
 
Ao ter acesso aos livros de registos, Arnaldo Saraiva extraiu notas manuscritas e que constam de fichas de comportamento e aproveitamento (19281937). Trata-se de avaliações de reitores e professores, advertências de diretores espirituais e denúncias de confessores que seguiam, de perto, o percurso de cada aluno, em cada ano escolar. Também se destinavam a informar o bispo da diocese da Guarda José Alves Matoso.
 
Entre as observações mais significativas a propósito de Vergílio Ferreira destacam-se, nomeadamente; inteligência e aplicação «regulares»; caráter «afeminado e voluntarioso; tem muitos nervos, é um histérico»; e, ainda, por exemplo, faz «tratamento antissifilítico. É hereditária a doença». (pags.24 a 29)
 
Em Vergílio Ferreira, Seminarista nos seminários do Fundão e da Guarda, Arnaldo Saraiva desfez tabus, esclareceu equívocos, desmontou opiniões falsificadas, corrigiu datas e, em especial, recolheu numerosos documentos inéditos com revelações surpreendentes. Tudo isto porque Arnaldo Saraiva reconhece que, apesar dos livros sobre Vergílio Ferreira da autoria de Maria da Glória Padrão e Helder Godinho, de Serafim Ferreira e Fernanda Irene Fonseca, entre outros estudiosos, Vergílio Ferreira «espera ainda e merece, uma biografia digna», (pag. 7)

MANANCIAL PRODIGIOSO
O universo cadaveroso dos seminários - viveiro dos precursores da delação premiada – proporcionou a largos milhares de antigos alunos, que foram expulsos ou desistiram do sacerdócio, as habilitações indispensáveis para ingressar no funcionalismo público (Câmaras Municipais, correios, tribunais, Policia Judiciária, PIDE, etc) ou, então, nos cursos do magistério (primário, secundário e superior). No caso de Vergílio Ferreira serviu-lhe para fazer o liceu, entrar na Universidade de Coimbra, formar-se em Letras e lecionar, em diversos liceus, Português, Latim e Grego. A repetir, durante décadas, sempre o mesmo do mesmo.

O «exercício burocrático do ensino» – assim me declarou várias vezes – assegurava-lhe a subsistência económica e o equilíbrio financeiro. Cinco ou seis anos de vexames e de humilhações, nos seminários do Fundão e da Guarda, deram-lhe um prodigioso manancial de conhecimento vivido, para reflexões angustiantes em torno da natureza humana. Abriram caminho para se afirmar como um dos mais notáveis escritores portugueses do século XX e com legítima ambição ao Prémio Nobel da Literatura.

Ficheiros Secretos – por António Valdemar, [Jornalista e investigador, membro da Classe de Letras da Academia das Ciências], revista E, Expresso, 19 de Agosto de 2017, pp. 68/69 – com sublinhados nossos.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

[EXPOSIÇÃO] FIGUEIRA DA FOZ – 300 ANOS DE MAÇONARIA


 
300 Anos de Maçonaria. Símbolos e Ritos 1717-2017
 
DE: 5 de Agosto a 7 de Outubro 2017;
LOCAL: Museu Municipal Santos Rocha [Figueira da Foz];

 

 
Na Comemoração dos 300 Anos da Maçonaria dita “Moderna”, o Museu Municipal Santos Rocha, da Figueira da Foz, realiza uma Exposição Temporária sobre a efeméride. A sedutora Exposição, que está patente até ao dia 7 de Outubro, apresenta, além de peças do seu valioso núcleo maçónico, espécies bibliográficas raras (retiradas do seu acervo), uma curiosa linha de tempo maçónica (no mundo e nacional), descreve e percorre toda a rica historiografia maçónica no concelho (até aos dias de hoje) e mostra um templo maçónico, que merece um olhar atento. Haverá, em Setembro e Outubro, lugar a conferências e debates.
 
 

A não perder.

J.M.M.

domingo, 23 de julho de 2017

O SILÊNCIO DO FOGO NA VOZ DA DOR …


O silêncio do fogo na voz da dor… ” – por Nádia Piazza, in Público, 23/07/2017
“Estamos tão cansados, mas não podemos estar. Os mortos não se calam e não nos deixam cansar. Gritam por Justiça! Exigem Mudança!

A Associação das Vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande, o grande, brutal e devastador incêndio que lavrou do dia 17 a 24 de Junho de 2017, nos concelhos de Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pêra, é um movimento cívico que partiu dos familiares e amigos das vítimas mortais desta tragédia. Uma associação cujo mote é apurar responsabilidades e ajudar a construir um futuro em que tal tragédia e crueldade não volte a acontecer!
Esta é a descrição do que pretendemos ser, com a ajuda de todos e a lembrança de todos aqueles que partiram. Porque hoje somos uma comunidade traumatizada. Uma comunidade sujeita a uma tal brutalidade que não se nos apaga da memória... O cheiro a terra ardida é algo que nos envolve, que nos macilenta e que se entranhou em cada um de nós.

A perda de dezenas de vidas e de forma tão trágica que roça a loucura deixou uma sociedade e todo o seu contexto à volta num luto imposto. A vida acabou ali, naquela estrada para muitas pessoas. Inocentes. E acabou também parte de uma vida para os que ficaram. Os que ficámos, ficámos mais pobres, mais sós, apenas com o alento das memórias, mas com a revolta de toda esta situação. São filhos sem pais. São pais sem filhos... são casas sem gente, é gente sem gente, não é natural!
Olho à volta e as pessoas não se riem, choram sozinhas, acanhadas, não se olham nos olhos, com vergonha pela sua impotência, com medo; o cenário é deprimente e não nos ajuda a superar com dignidade a tragédia. O Inverno não tarda e com ele as ruas despidas de vida. Despidas de ainda mais vida.

Há rancor, ressentimento com o território e com as entidades públicas. O Estado falhou. A Nação não existiu.
Mas não falhou apenas nesta tragédia. O Estado vem falhando ao longo de décadas. O Estado padece de uma cegueira crónica, está enfermo de um tal sentimento de negação de si próprio. Nega o seu estado de país rural, um país orgulhosamente rural e por isso mesmo rico.

Enquanto Estado é um conceito frio, masculinizado, distante, de um ente que impõe tributos e leis aos seus súbditos, um amontoado de entidades supostamente hierarquizadas, com dirigentes supostamente competentes, e que supostamente deveriam cumprir e fazer cumprir um conjunto de leis e regras que se vão aprovando (ou não!) conforme as vontades políticas da estação. Assim se vai governando Portugal. Sem pactos de regime e visão a longo prazo. Vão-se puxando o tapete uns aos outros, não se apercebendo que, por fim, só restam cacos, dor e tristeza para governar.
Nação, por sua vez, é um conceito acolhedor, integrador, feminino, belo, quase maternal, que agrega o seu Povo e o seu Território. É o que dá sentido à reunião das pessoas num determinado território a que chamamos “a nossa terrinha”, “o nosso cantinho a beira-mar plantado”, a proa desta “jangada de pedra”. Portugal.

O Estado falhou nesta tragédia levando consigo o sentimento de pertença de Nação que tínhamos. O Estado não protegeu a sua Nação. Não assegurou o seu Território e com ele o seu Povo...
Fomos vítimas desta ausência insuportável de Estado. Ontem e hoje. Mas não amanhã. Porque já chega de incêndios que ceifam vidas. Incêndios como os de 2003, 2005 e Junho de 2017, e que contabilizam, até a data, 100 vítimas mortais em solo português, não podem voltar a acontecer. É hora de todos dizermos “Basta!”. Este Estado que não quer ver secou uma parte importante da sua Nação, aquela que moveu este país por séculos, o Interior.

A primeira muralha e frente de defesa do País no passado contra as invasões estrangeiras, o celeiro do País em tempo de vacas magras, o emissor de soldados nas guerras ultramarinas, o mercado de mão-de-obra barata em tempos de construção europeia... Quando o Interior e os seus recursos já não eram precisos, substituídos pela oferta de bens e serviços mais baratos, o Povo e o Território do Interior foram abandonados À sua sorte. Emigrem! E assim o fizeram, abandonados à sua sorte.
Não houve solidariedade em tempos de vacas gordas, não houve estratégia para o Território quando os dinheiros dos Fundos Estruturais Europeus chegavam a rodos. Foram anos de esquecimento, de esvaziamento progressivo e consistente das instituições regionais e locais, depois seguiram-se as empresas e, por fim, as pessoas. Sobreviver é preciso.


Foram sucessivas décadas de descaso com o Interior, de negligência com o Território, com a Floresta e a Agricultura. Tendo como consequência a emigração das pessoas em idade ativa, restando uma população envelhecida e empobrecida a exigir cuidados redobrados do pouco Estado que restou e que nos foi esventrado e sobretudo das autarquias locais e misericórdias.
Parecia propositado... o Interior tornou-se terra de ninguém, envergonhado de o ser, abandonado e, assim, por fim, vergado.

Deveríamos dar graças por nos termos tornado a maior região eucaliptizada da Europa... Fomos “agraciados” pela falta de oportunidade! O Território estava a saldos e ninguém quis saber.
O Interior tornou-se um canteiro de ervas daninhas, sem jardineiros — as suas gentes. Um barril de pólvora em que se soma a indústria do fogo institucionalizada e um qualquer ano eleitoral. Os ingredientes ideais para a tempestade perfeita.

A tragédia de 17 a 24 de junho de 2017 estava mais que anunciada. Foi apenas uma questão de tempo... e o tempo não pára! E com ele foram muitas vidas abreviadas. Cedo demais... Cedo demais!
Por ti, meu filho..."

O silêncio do fogo na voz da dor… – por Nádia Piazza, jornal Público, 23 de Julho de 2017, p. 3
J.M.M.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

LEITÃO DE BARROS - “O INVENTOR” [CONCLUSÃO]



O Inventor” [Conclusão] – por António Valdemar, in Caderno E, Expresso

LANÇAMENTO DE SALAZAR

Espectador e crítico dos primórdios do século XX, Leitão de Barros assistiu à desagregação da monarquia e a sucessivos episódios trágicos que derrubaram a República. Apoiou o consulado de Sidónio Pais e também o golpe de 28 de Maio de 1926, que implantou a ditadura militar e preparou a ditadura do Estado Novo. Participou no lançamento e consolidação da imagem de Salazar. António Ferro, por sugestão de Mário Barros a Eduardo Schwalbach, diretor do “Diário de Notícias” (Augusto de Castro estava, na altura, em Bruxelas, à frente da Legação de Portugal), fez as entrevistas, depois publicadas em livro e traduzidas em várias línguas, que revelaram os objetivos políticos de Salazar como chefe do Governo.
Leitão de Barros, diretor de “O Domingo Ilustrado” e de “O Notícias Ilustrado”, acompanhou essa promoção de Salazar e também a completou no cinema, por exemplo, em documentários acerca de algumas das instituições do salazarismo, como a Mocidade Portuguesa e a Legião Portuguesa. Enquanto esteve no jornal “O Século”, nos anos 30 e 40, entre numerosas iniciativas que desenvolveu, Leitão de Barros criou “O Século Ilustrado” e a Feira Popular de Lisboa; entrevistou Salazar e também, no Castelo de Bellevue, nos arredores de Paris, a rainha D Amélia, que enalteceu as obras do Estado Novo e a ação de Salazar.

O POLEIRO DE ‘OS CORVOS’
Leitão de Barros ficou na história do “Diário de Notícias” dirigido por Augusto de Castro. Fez crónicas e reportagens na Inglaterra, na Espanha e no Brasil. Mas, durante os 15 anos de permanência no jornal, assinalou-se fundamentalmente através da coluna semanal ‘Os Corvos’. Eram textos que se aproximavam da intimidade alfacinha introduzida nos folhetins do século XIX, de Júlio César Machado e Gervásio Lobato, e da mordacidade satírica de “As Farpas”, de Ramalho, e de “Os Gatos”, de Fialho.

'Os Corvos’ denunciam o temperamento irrequieto de Leitão de Barros. Ele conciliava a efusão lírica, a toada elegíaca e o entusiasmo patriótico com erupções irreprimíveis de sarcasmo. Era feroz — e regra geral oportuno — perante a mediocridade, o mau gosto e o vazio da pompa académica. Mas não ponderou a advertência de Fernando Pessoa num texto de acaso de Álvaro de Campos: “O poeta superior diz o que efetivamente sente. O poeta médio diz o que decide sentir. O poeta inferior diz o que julga que deve sentir.” Esse foi um dos erros que cometeu ao apreciar os poetas, escritores e artistas do seu tempo. E de outros tempos.
CERCADO DE INVEJAS

Os Corvos’ — de que há uma reduzida seleção, feita pelo próprio Leitão de Barros, em 1959 e 1961, dois volumes ilustrados por João Abel Manta — mobilizaram a curiosidade e interesse de milhares de leitores. Refletiam as tendências estéticas, os modelos literários e as opiniões políticas e sociais de Leitão de Barros, que registou de 1953 a 1967, no “Diário de Notícias”, o que ocorria na cidade, no país e alguma coisa do que chegava até nós.
Insistiu, alguns meses antes de falecer, na autópsia possível da realidade do Portugal que tivemos. Debatia-se com a degradação física, o envelhecimento progressivo, a consciência aguda da morte. Procurava ajustar ideias e projetos para enfrentar um mundo bastante diferente daquele em que assumira intervenção decisiva. Tinha propostas para Lisboa: valorizar a Avenida, recuperar Alfama, as ruínas do Carmo; cuidar dos jardins e dos miradouros; incentivar o turismo e a hotelaria; ajudar as crianças e os velhos.

Contudo, mesmo na agonia do salazarismo, eram outras as conceções na arquitetura, na urbanização, na educação e no ensino, na segurança social, nas exigências das populações. Em especial dos jovens.
Morreu, como viveu, cercado de invejas. Não lhe perdoavam nem o talento nem o êxito. Numa carta inédita — no espólio, a cargo das netas —, Eduardo Malta descreve, com minúcia, citando nomes, a sabotagem para inviabilizar uma votação para Leitão de Barros ser eleito sócio correspondente da Academia de Belas-Artes. Não era uma questão de currículo, mas aversão pessoal. Faltou-lhe até, naquela altura, para ter quórum, a solidariedade de uma pessoa muito próxima e da família. Em nova votação admitiram-no. Era tarde. Não tomou posse. Estava moribundo...

POSTERIDADE INEXORÁVEL
José Leitão de Barros, cidadão de Lisboa, falecido há 50 anos, a 29 de julho de 1967, recebeu as maiores homenagens e teve um enterro imponente, da Basílica da Estrela para um jazigo no Cemitério dos Prazeres. Estou certo de que ele gostaria de ter feito a notícia da sua morte e a reportagem do funeral, distribuindo os adjetivos de luxo para verter as lágrimas e acentuar as condolências

Teve honras na toponímia, com o nome numa rua em São Domingos de Benfica. É pouco para quem deu muito. Não é única a situação. Em diversas circunstâncias, já verificáramos outros casos de retumbante prestígio oficial ou oficioso que se eclipsaram decorrido meio século ou talvez menos. Mergulharam no esquecimento. O mesmo que envolve a memória de Leitão de Barros. Manter na íntegra, depois da morte, o protagonismo atribuído em vida não é fácil. A posteridade é inexorável
O Inventor – por António Valdemar, [Jornalista e investigador, membro da Classe de Letras da Academia das Ciências], revista E, Expresso, 15 de Julho de 2017, pp. 46/50 – com sublinhados nossos.

J.M.M.

LEITÃO DE BARROS - “O INVENTOR” [PARTE II]


O Inventor” [parte II] – por António Valdemar, in Caderno E, Expresso

A FESTA DE DESPEDIDA

A nossa relação pessoal passou a ser assídua. Uma ou duas vezes tentei entrevistá-lo: “Quanto é que tu me pagas? Vais receber dinheiro um texto feito com as minhas ideias? Resolvi dizer o que penso apenas nos ‘Corvos’. Começo a ficar seco e não desejo repetir-me”, declarou com um ar desconcertante. Apareceu recentemente no espólio, inventariado pelas netas, uma carta minha, que revela a proximidade que tivemos, a propósito da festa que Leitão de Barros ofereceu, cerca de um ano antes de falecer, na Casa do Banzão, em Colares. Foi, ao pressentir a morte, uma despedida dos amigos e de algum mundo oficial. Teve o aparato barroco dos cortejos históricos: GNR a cavalo e com uniforme de gala, à chegada dos visitantes, em redor da moradia e da torre... Reuniu quase todo o mundo das letras, das artes, da música, do teatro e do cinema. Incluiu, ainda, gente do Governo e da oposição. Do reviralho republicano. Compareceram, como é óbvio, do “Diário de Notícias” o diretor Augusto de Castro, a coordenadora do suplemento “Artes e LetrasNatércia Freire, o chefe da redação João Coito, o jornalista Artur Maciel. Surpreendeu-me a distinção do convite que Leitão de Barros me fez pelo telefone e o cartão que mandou, pelo correio, para minha casa. Não vi mais ninguém do “Diário de Notícias”. Estiveram, possivelmente, administradores.
APOSTA NO INSTITUCIONAL

Para a necrologia de Leitão de Barros, preparada com razoável antecipação, li ‘Os Corvos’, no livro e no jornal. Voltei a lê-lo para o artigo que escrevi no centenário do seu nascimento. Consultei, ainda, número a número, a coleção de “O Domingo Ilustrado” e de “O Notícias Ilustrado”. Encontrei, por exemplo, textos de Fernando Pessoa e desenhos e textos de Almada Negreiros. Leitão de Barros não hesitou publicar, em “O Domingo Ilustrado”, uma versão do último manifesto de Almada Negreiros, “Pa-Ta-Pon”, uma catalinária fulminante contra Martinho Nobre de Melo, catedrático da Faculdade de Direito de Lisboa. Jovem ministro da Justiça de Sidónio, na altura, Martinho era um dos dirigentes da ditadura militar que, pela primeira vez, incluiu no Governo o ainda desconhecido Oliveira Salazar. Entretanto, Leitão de Barros teceu rasgados elogios a Almada, classificando- o “o maior nome da arte modernista”. Contudo, as preferências de Leitão de Barros, ao recolher opiniões para um inquérito ou qualquer outro destaque, recaíam em Afonso Lopes Vieira e António Correia de Oliveira, entre os poetas; em Carlos Malheiro Dias e Antero de Figueiredo, entre os escritores; e em Carlos Reis e Roque Gameiro, entre os artistas plásticos.
Nos momentos solenes, o Dantas era infalível. Apostava, portanto, nos valores institucionais. Não se apercebeu do significado das vanguardas europeias nem da importância do “Orpheu”. Enredou-se nas anedotas de café, na chicana das gazetilhas, nas ferroadas das caricaturas. Não reparou, ignorou ou encolheu os ombros quando — dois ou três anos antes do “Manifesto Anti-Dantas” de AlmadaFernando Pessoa, ao criticar o “Bartolomeu Marinheiro” de Afonso Lopes Vieira, escrevia sem papas na língua: “Os portugueses de amanhã, se forem educados na estupidez pela leitura das obras infantis como o ‘Bartolomeu Marinheiro’ [...], terão por Shakespeare o sr. Júlio Dantas, por Shelley o sr. Lopes Vieira e... serão espanhóis.” (Não ficámos espanhóis, mas Afonso Lopes Vieira, durante o salazarismo, era um dos poetas que figuravam nos livros de instrução primária... Ilustrados por Raquel Roque Gameiro)

A DISPERSÃO CONTÍNUA
A opção que Leitão de Barros tomou, no decurso de uma dispersão contínua, por fazer muitas coisas e ao mesmo tempo, se impediu que ficasse reduzido a pão e laranjas, mas sem o conforto financeiro que pretendia, em termos culturais transformou- o, como artista plástico, escritor e homem de teatro, num epígono de epígonos. Uma tarde, no ateliê da Rua D. Pedro V, perguntei-lhe se já tinha refletido na ascensão de artistas, poetas e escritores da sua idade ou ligeiramente mais velhos (casos de Fernando Pessoa, Almada, Eduardo Viana, Jorge Barradas e António Soares), uma vez que ele se colocara à margem de uma geração com um contributo inovador em que poderia ter participado?

A resposta foi imediata: “Não tenho nada a ver com o Amadeu Cardoso e muito menos com o Picasso.” E pormenorizava: “O Viana é um pintor excecional. O Almada é e foi sempre o Almada. O Barradas só ganhou projeção nacional, aos 50 anos, ao abandonar as colaborações nos jornais e ao dedicar-se à cerâmica. Formou uma nova escola de ceramistas. Mas, por exemplo, o António Soares, os seus óleos, guaches e desenhos situam-se antes do Picasso e do Amadeu. Lá fora, é claro, pois aqui estávamos agarrados ao Silva Porto e ao Pousão, ao Columbano e ao Carlos Reis. E quem frequentou a Escola de Belas-Artes era triturado pela severidade do desenho lecionado pelo Condeixa e pelo Luciano Freire. O Soares teve a sorte de não passar por lá...”
A OBSESSÃO DO SOARES

“Eu poderia ter escolhido outro caminho... Todos gostam imenso do Soares, embora seja um indivíduo intratável. É o autor da maior parte das capas dos principais livros do António Ferro. Foi duas vezes Primeiro Grande Prémio de Pintura, atribuído pelo Ferro nos Salões de Arte Moderna do SNI. Consagrado na Exposição Internacional de Paris. O Almada nunca perdoou isso ao Ferro. O Soares fez um retrato estupendo do cardeal Cerejeira, outro retrato estupendo da rainha Leonor de Gusmão, para o Paço Ducal de Vila Viçosa. Não te esqueças do retrato da Natacha e do retrato da irmã. Não têm nada a ver com o modernismo, com o retrato do Fernando Pessoa feito pelo Almada ou com os retratos do Mário Eloy. Se lho encomendassem, o Soares teria retratado o Salazar e o Dantas. Eu sabia e sei fazer o mesmo que o Soares faz e que vai repetindo há 40 anos com pequenas variações. Ele compra revistas francesas da moda e de turismo: pega naquilo, dá uma volta e aparecem aquelas mulheres, deslumbrantes e esquisitas, de Paris, num cabaret, lábios pintados, um cigarro na mão ou entre os lábios; ou, então, numa terrasse de Montmartre, com blusas e casacos lindíssimos. Quem é que não gosta?”
SETE DIAS E MEIO...

“Conheces aquela história do Soares imaginada pelo Bernardo Marques? Uma delícia!” É evidente que já a ouvira ao próprio Bernardo Marques e a Abel Manta ou a Jorge Barradas. Disse que a ignorava, e Leitão de Barros, como um gato arrepiado e com rasgos impetuosos de farsa, à maneira de Gervásio Lobato, recriou com humor cáustico: “O Mário Ribeiro, dono do Bristol Club, instalado onde está a sede do Benfica, arranjou, dentro do edifício, um ateliê para o Soares e, mais tarde, outro para o Guilherme Filipe. O Mário Ribeiro adorava as pinturas e desenhos do Soares. Entrava em êxtase com as mulheres nas capas do ‘ABC’. Pagou ao Soares uma viagem a Paris para ele ir mesmo a Paris. Tinha muito dinheiro. As roletas chegavam a funcionar 24 horas. Nenhum artista ou escritor amigo do Mário Ribeiro pagava nada no Bristol. Comiam e bebiam à vontade. Só pagavam às putas se fossem com elas para a cama. Como era possível o Soares a impingir-nos Paris sem nunca ter posto lá os pés? Então o Soares andou em Paris quinze dias para ver mesmo Paris. Mas, como viveu sempre de noite e se levantou sempre às 5h ou 6h da tarde, o Bernardo dizia, com imensa graça e toda a verdade, que ele ficou apenas sete dias e meio... Daí para cá o Soares cria mulheres e faz paisagens de Paris quando, afinal, são vestidas e despidas, à noite e de madrugada, na casa onde mora, na Rua de Santo António dos Capuchos, cujas traseiras dão para as traseiras do Patriarcado. É assim que ele e o Cerejeira se cumprimentam. O retrato do Cerejeira foi executado a partir de fotografias escolhidas pelo padre Moreira das Neves. O Cerejeira nunca posou, é inimaginável, às horas em que o Soares trabalha...
O LEGADO DE RAMALHO

Um dos mestres de Leitão de Barros era o Ramalho Ortigão das “Últimas Farpas” e de “O Culto da Arte em Portugal”. Incutiu-lhe, a ele e a muitos outros jovens da sua geração, desiludidos e inconformados com a I República, a chama do nacionalismo e o fervor do regionalismo, a urgência da salvaguarda e recuperação do património, da conservação e restauro de monumentos. Ramalho também fez despertar a nova geração para o aprofundamento das raízes históricas e culturais que emergem dos cancioneiros medievais, dos ‘Amadizes’, da obra lírica e épica de Camões, do teatro de Gil Vicente, do teatro, da poesia e da literatura de viagens de Garrett.
Este legado, que ganhou forte expressão em Afonso Lopes Vieira e em Roque Gameiro, também perdura em Leitão de Barros e na atividade que este desenvolveu no cinema, no teatro, no jornalismo, nos cortejos históricos e na Exposição do Mundo Português.

[a continuar]

O Inventor [Parte II] – por António Valdemar, [Jornalista e investigador, membro da Classe de Letras da Academia das Ciências], revista E, Expresso, 15 de Julho de 2017, pp. 46/50 – com sublinhados nossos.

J.M.M.

LEITÃO DE BARROS - “O INVENTOR” [PARTE I]



O Inventor” – por António Valdemar, in Caderno E, Expresso

O “Diário de Notícias” foi a sua última tribuna. Escrevia a crónica semanal ‘Os Corvos’, que saía aos domingos, sempre na mesma página. Tinha repercussão nos mais diferentes estratos sociais. De Salazar ao merceeiro e ao barbeiro da esquina. A colaboração de Leitão de Barros não trazia assinatura e vinha paginada num espaço próprio e com caracteres tipográficos próprios. Todos sabiam quem era o autor. O título remetia, evidentemente, para Lisboa. Leitão de Barros, porém, ocupava-se do que lhe apetecia e do que se passava em qualquer parte do país e até no estrangeiro. Homem de muitos ofícios, lecionou Desenho, Geometria Descritiva e Matemática nos liceus Camões e Passos Manuel.
Isto constituiu apenas um modo de sobrevivência económica. Os seus interesses repartiam-se por outras áreas. Soube, contudo, atingir o renome intelectual — conforme diversas vezes me disse — para ganhar “o dinheiro que desejo para não pensar no dinheiro”. Ficou na história do cinema. Os seus filmes e documentários marcaram uma época. Desde “Malmequer” (1918) até “Vendaval Maravilhoso” (1948), passando por “Severa”, extraído da peça e da narrativa romanceada de Júlio Dantas e que foi, em 1931, o primeiro filme sonoro português. Fixou o cenário marítimo e piscatório da Nazaré e da Póvoa de Varzim, o universo rural de “As Pupilas do Senhor Reitor”, o pitoresco dos bairros humildes de Lisboa e a realidade telúrica e humana das populações dos arredores. Ficou ainda na história do jornalismo da primeira metade do século XX. António Cortez Pinto apresentou, em 2015, na Universidade Nova de Lisboa, uma tese de doutoramento acerca da orientação que desempenhou em dois semanários. Fundou e dirigiu “O Domingo Ilustrado” (1925-1927) e “O Notícias Ilustrado” (1928-1935), que se afirmaram pela renovação gráfica, pela abundância de temas relatados e comentados e pela diversidade da colaboração.
E como era Leitão de Barros no dia a dia com qualquer um de nós? Ou com o poder político e económico? Ou com os diretores dos jornais? Imprevisível. Umas vezes agradável, outras desagradável. Muito simpático ou ostensivamente antipático. E como era, ainda, Leitão de Barros com a família? Com a mulher, os filhos, os netos, as cunhadas e os cunhados? Joana Leitão de Barros e Ana Mantero, duas netas que privaram ainda com o avô, procuraram-me, recentemente, para obter informações e aclarar dúvidas que lhes suscitou a leitura de um artigo meu de 1996, no dia do centenário do nascimento de Leitão de Barros. Preparam um livro que se baseia em documentação inédita encontrada no espólio, um acervo de muita correspondência, recebida e enviada; de muitas fotografias, de muitos recortes de jornais e revistas. Ao serem divulgados e contextualizados, vão surgir — garantiram-me — “revelações até agora desconhecidas a propósito do homem e da obra”.
José Leitão de Barros nasceu em Lisboa, a 22 de outubro de 1896, e entrou na “ínclita família” dos Gameiros pelo casamento, em agosto de 1923, com Helena, uma das filhas de Alfredo Roque Gameiro, que seguiu o pai na aguarela e no desenho (José tinha 27 anos e Helena 28). Raquel, outra filha de Roque Gameiro, principiou mais cedo na ilustração e na aguarela e atingiu maior notoriedade. Ainda outra filha, Maria, casou com Martins Barata e proporcionou novas ramificações. Havia mais dois filhos, Manuel e Rui. Este último, escultor, em agosto de 1935, com 29 anos, morreu, juntamente com a mulher (que estava grávida), na estrada de Sintra, num choque entre a moto que conduzia e um automóvel. Aos Gameiros juntou-se a dinastia dos Barros. Uma irmã de José casou com o arquiteto Cottinelli Telmo, sogro de Daciano Costa. E outra irmã, Teresa, formada em Letras, lecionou, no tempo áureo das Guardiolas, no Liceu Maria Amália, três ou quatro gerações que, em grande parte, guardaram deplorável memória das suas aulas; integrou o júri do polémico concurso organizado por António Ferro em que Fernando Pessoa enviou a “Mensagem”; e, antes e já depois do 25 de Abril, trabalhou na biblioteca e no arquivo do “Diário de Notícias”. Era feia e assumidamente reacionária. Tinha bigode e vestia mal. Desde o chapéu até aos sapatos.

ALMADA E OS “PAINÉIS”
Em agosto de 1960, entrei como repórter para o “Diário de Notícias”. O lendário chefe da secretaria, Mário Barros — uma das raras pessoas vivas que privaram com o poeta Gomes Leal; que pertencera a uma tertúlia do Café Chave d’Ouro ligada ao 28 de Maio e de que fazia parte o general Gomes da Costa; e que conhecera, de perto, toda a geração do “Orpheu” (tratava por tu Almada Negreiros e Alfredo Guisado) —, disse-me, enquanto marcava, pelo telefone, um serviço de agenda: “O Leitão de Barros quer conhecer-te, por causa dessa trapalhada da questão dos ‘Painéis’, das tuas entrevistas com o Almada. Ele está convencido de que, no ‘Diário de Notícias’, é a única pessoa que pode falar e escrever sobre os ‘Painéis’ e que o que é preciso saber é quem foi que os pintou e para onde se destinavam os ‘Painéis’.” Em ‘Os Corvos’, Leitão de Barros tinha dado algumas alfinetadas que haviam irritado Almada, que me comentou com acidez: “Só faltava agora este preopinante...”
Dias depois, em plena redação, tivemos a primeira aproximação. Eu preparava-me para sair e ele chegava com o texto de ‘Os Corvos’ para publicar no domingo. Dirigi-me ao seu encontro e identifiquei-me. A conversa prolongou-se até às 4h ou 5h da madrugada. Era a ‘Nau Catrineta’. Tinha sempre muito que contar (era um conversador fascinante, como Almada, Nemésio, o professor Vieira de Almeida, António Pedro e poucos mais). Estou a ouvi-lo. Principiou ao ataque: “Como é que tu, que és tão novo, mais ainda do que eu julgava, te atreves a escrever sobre os ‘Painéis’? Já leste o livro de José de Figueiredo? Como é que o monstro sagrado do Almada te deu as entrevistas que nunca me quis dar? Ele, se calhar, não quis foi discutir geometria comigo...”
Deixei-o falar à vontade. Descarregou os nervos. Referi-lhe que passei alguns meses no Museu Nacional de Arte Antiga, apresentado por Almada ao dr. João Couto, que me explicou as várias teses e me pôs à disposição o essencial e o acessório que havia na biblioteca.
[a continuar]
O Inventor [Parte I] – por António Valdemar, [Jornalista e investigador, membro da Classe de Letras da Academia das Ciências], revista E, Expresso, 15 de Julho de 2017, pp. 46/50 – com sublinhados nossos.
J.M.M.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

SUBSÍDIOS PARA UMA BIOBIBLIOGRAFIA SÃO-BRASENSE, POR JOSÉ DO CARMO CORREIA MARTINS

Quinta-feira, 20 de Julho de 2017, pelas 18.30h, no Salão Nobre da Câmara Municipal de S. Brás de Alportel, vai ser apresentada ao público a nova obra do Dr. José do Carmo Correia Martins, desta vez dedicada ao tema da biobibliografia sambrasense, tema ainda por desbravar e onde o autor, ao longo de três centenas de páginas vai dando a conhecer os autores, as obras que se referem à terra, imprensa que se publicou no concelho ao longo do tempo e apontamentos de nota sobre o património concelhio.

A obra intitulada Subsídios para uma Biobibliografia são-brasense vai ser apresentada pelo Prof. Doutor José d' Encarnação, 

Abaixo segue o convite para o evento: (Clicar na imagem para aumentar)
Porque o trabalho é sobre um tema aliciante, particularmente para os que como nós apreciam o livro e o seu conteúdo, saber mais sobre os autores, os livros e a imprensa de S. Brás de Alportel revela-se de primordial importância. Além disso, também por motivos de uma amizade e respeito, que se tem construído com o autor da obra, em torno destes temas e outros afins, assumimos com todo o prazer a divulgação deste evento e desejando-lhe o maior sucesso.

A divulgar.

A.A.B.M.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

PENTATEUCO: COMEMORAÇÃO DOS 530 ANOS DE LIVRO IMPRESSO EM PORTUGAL


Amanhã, 14 de Julho de 2017, realiza-se em Faro, no Salão Nobre dos Paços do concelho, entre as 9h00 e as 18h00, o colóquio que assinala os 530 anos da publicação do primeiro livro impresso em Portugal. Para assinalar esta efeméride, a Câmara Municipal de Faro, o Centro História de Além Mar/FCSH-Universidade Nova e da Universidade dos Açores, juntaram esforços para realizar uma excelente iniciativa que se divulga neste espaço virtual.

Pode ler-se na nota de divulgação:
Esta iniciativa pretende contribuir para a divulgação do conhecimento e da reflexão em torno da multifacetada e complexa história da edição impressa em Portugal e para a valorização do seu património. O programa abarca esta ampla cronologia (séculos XV-XXI) e convida à participação de todos os interessados.
A entrada é livre.

PROGRAMA
9h00 | Recepção 

9h30-9h55 | Sessão de Abertura
Presidente da Câmara Municipal de Faro, Rogério Bacalhau
Subdirector do CHAM-Centro de Humanidades, João Luís Lisboa

10h00-10h30 | Faro e o seu contexto cultural ao longo dos séculos XV-XIX / FRANCISCO LAMEIRA (UALG)
10h35-11h05 | As histórias que cada letra pode contar. Dois alfabetos "historiados" ou "falantes na tipografia portuguesa do século XVI / JOÃO ALVES DIAS (IEM; CHAM-FCSH NOVA)

11h05-11h20 | Pausa para café

11h20-11h50 | Bispos, bibliotecas e corsários: Reflexões em torno do assalto inglês a Faro em 1596 / RUI LOUREIRO (ISMAT & CHAM-FCSH NOVA)
11h55 -12h25 | Em torno da contrafação de livros na primeira metade no século XVII: uma "relação" que [não] saiu da oficina de Diogo Gomes de Loureiro em 1637 / JOSÉ JORGE GONÇALVES (IEM; CHAM-FCSH NOVA)

12h30-13h00 | Debate

ALMOÇO

14h30-15h00 | A História dos Judeus: uma leitura de referência em bibliotecas religiosas / FERNANDA MARIA GUEDES CAMPOS (CHAM-FCSH NOVA)
15h05-15h35 | O poder da gravura impressa / JOSÉ PACHECO (ISMAT)

15h35-15h50 | Pausa para café 

15h50-16h20 | A vitalidade da tipografia ao longo de mais de quinhentos anos: razões técnicas que a explicam / ARTUR ANSELMO (CHAM-FCSH NOVA; Academia das Ciências de Lisboa)
16h25-16h55 | O mundo do livro impresso: história, património e desenvolvimento. Apresentação do projecto Museu da Imprensa no Algarve / Patrícia De Jesus Palma (CHAM-FCSH NOVA)

17h00-17h30 | Debate 

17h30 | Sessão de Encerramento pela Directora Regional da Cultura do Algarve, Alexandra Rodrigues Gonçalves

18h00 | Visita guiada à exposição Faro: Marcos de Urbanismo, no Museu Municipal de Faro

O cartaz do evento abaixo:

Com os votos do maior sucesso para mais esta iniciativa.

A.A.B.M.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

AL-ULYA Nº17

No próximo sábado, dia 8 de Julho de 2017, no Arquivo Municipal de Loulé, pelas 17 horas, vai ser apresentado o novo número da revista Al-Ulya.

Pode ler-se na nota de divulgação da apresentação:

O presente número da revista é dedicado a uma Tese de Mestrado que tem como objecto de estudo dois palacetes pertencentes à aristocracia louletana; o Gama Lobo e o de Azevedo e Silva, que foram construídos na segunda metade e finais do século XVIII.
A autora é a arquitecta Suzinda Neves, que teve como orientador o Prof. Doutor José Horta Correia.

São convidados para apresentar a revista os professores:
José Horta Correia
Francisco Ildefonso Lameira.

Uma excelente iniciativa que se divulga junto de todos os potenciais interessados.

A.A.B.M.

terça-feira, 27 de junho de 2017

CONFERÊNCIA – A QUESTÃO RELIGIOSA NA PRIMEIRA REPÚBLICA (1910-1926)


CONFERÊNCIA: A Questão Religiosa na Primeira República (1910-1926)

ORADOR: António Ventura (professor da FLUL);

DIA: 29 de Junho 2017 (18,30 horas);
LOCAL:
Biblioteca Municipal Fernando Piteira Santos, Amadora;
ORGANIZAÇÃO: BMFPS | IHC (FCSH/UNL).

«A legislação promulgada pelo Governo Provisório entre Outubro de 1910 e Abril de 1911 constituiu o corolário de uma extensa campanha de propaganda republicana, exercida com veemência desde os finais de Oitocentos, em prol da construção do estado laico em Portugal.
A presente palestra incide sobre as motivações, próximas e longínquas, da perspectiva anticlerical prevalecente no movimento e Partido Republicano Português em período anterior à implantação da República. Procede à análise das principais medidas legislativas assumidas pelo PRP, durante a vigência do Governo Provisório, aferindo as influências recebidas de ordenamentos jurídicos congéneres no panorama europeu. Evidencia o impacto das referidas leis, mormente as Leis de Família, Lei do Registo Civil e Lei da Separação do Estado das Igrejas no contexto nacional e no quadro das relações entre Portugal e a Santa Sé. Por fim, avalia o modo de reaproximação gradual promovido entre o Estado Português e a Santa Sé» [AQUI]

J.M.M.