domingo, 12 de novembro de 2017

ALLEGAÇÃO EM GRÁO DE REVISTA A FAVOR DOS MARTYRES DA PATRIA BENEMERITOS DELLA EM GRÁO HEROICO … POR MANOEL JOSE GOMES DE ABREU VIDAL



LIVRO: Allegação em gráo de revista a favor dos Martyres da Patria Benemeritos della em gráo heroico: condemnados a morte, e a degredos, e confiscos pelas nullas e barbaras sentencas proferidas em 15 e 17 de outubro de 1817: Com o relatorio que os espioes, e denunciantes mandarao para o Rio de Janeiro, e com a certidão extrahida do livro secretissimo da intendencia, offerecido aos homens que tem patria;

AUTOR: Manoel Jose Gomes de Abreu Vidal;
EDIÇÃO: Lisboa, Impressão Liberal,1822, p. 43.

 

Manoel José Gomes de Abreu Vidal foi Bacharel em Direito pela Universidade de Coimbra e advogado da Casa de Suplicação em Lisboa. Liberal, pertencente à facção exaltada da revolução de 24 de Agosto de 1820 [redigiu O Amigo do Povo, entre 1820-1821], em breve passou, com igual fervor, a defender os “princípios absolutistas” [cf. Diccionario historico, chorographico, heraldico, biográfico, …, vol7, de Esteves Pereira]. Escreveu em 1828 uma “acalorada diatribe” contra o Marquês de Palmela, Pedro de Sousa Holstein, numa curiosa Carta publicada só em 1829 [Carta primeira ao Marquez de Palmela, D. Pedro de Sousa Holstein, 1829], em que defendia a “legitimidade do infante D. Miguel”, porque entendia que D. Pedro “perdera por estrangeiro o direito á coroa portuguesa” [cf. Dicionário Bibliográfico, de Inocêncio F. Silva, tomo VI].
Não deixa de ser curioso o facto de o mesmo Gomes de Abreu Vidal ter, a 13 de Abril de 1821, apresentado um projecto para a redacção de um jornal “dirigido a formar unidade de opinião a favor do sistema actual”. E argumenta o mesmo Manuel José Gomes de Abreu Vidal em seu abono o não existir nenhum periódico a favor da situação, bem pelo contrário. O parecer, segundo a Comissão de Instrução Pública, foi remetido à Regência do Reino, para conhecimento. Ainda no decorrer das sessões das Cortes Gerais e Extraordinárias, Manuel José Gomes de Abreu Vidal foi preterido no recrutamento para redactor do Diário das Cortes [ver minuta do parecer da Comissão de Redacção do Diário das Cortes de 26 de Julho de 1821, apresentada na sessão de 27 de Julho], tendo sido considerado que os dois candidatos vencedores [Teotonio José de Oliveira e Inocêncio da Rocha Galvão] foram, entre os seis pretendentes, os que ela [Comissão de Redacção do Diário das Cortes] considerou "mais dignos, à vista dos documentos que juntaram”. Por sua vez, a 30 de Abril de 1829, Manuel José Gomes de Abreu Vidal, em audiência por D. Miguel, recebeu a medalha “com a sua real efigie” (com fita encarnada e orla branca) [cf. Gazeta de Lisboa, 1829, nº 103].
 
Manoel José Gomes de Abreu Vidal publicou, além do opúsculo acima referido, o seguinte: “O Amigo do Povo” (periódico político, 1820-21); Analyse da sentença proferida no Juizo da Inconfidencia em 15 de Outubro de 1817, contra o tenente-general Gomes Freire de Andrade, o Coronel Manoel Monteiro de Carvalho e outros, pelo crime de alta traição, Lisboa, Typ. Morandiana, 1820, p. 36; Os Homens de 1820 (?) / Carta primeira [e única ?] ao Marquez de Palmela D. Pedro de Souza Holdstein, Lisboa, Typ. Morandiana, 1829.
  
J.M.M

Sem comentários: